A TAP registou lucros de 177,3 milhões de euros em 2023, um valor recorde, sendo de 2,7 vezes superior aos 65,6 milhões de 2022, anunciou a empresa. Mas o quarto trimestre foi de prejuízos.

Também as receitas operacionais, em 2023, foram “o valor mais alto de sempre da história do grupo”. Atingiram 4,2 mil milhões. No ano passado, a TAP transportou 15,9 milhões de passageiros, mais 15,2% do que em 2022,  quase a atingir o número de 2019. No número total de voos operados, que aumentou 11%, ficou pelos 88% dos níveis pré-pandemia. O load factor (taxa de ocupação dos aviões) aumentou para 80,8% em 2023.

O PRASK (receita de passageiro por lugar) foi de 7,30 cêntimos, enquanto o custo de passageiro por lugar disponível foi de  7,25 cêntimos. É que os custos operacionais recorrentes atingiram os 3.829,0 milhões, mais 18,3%. Os custos com pessoal quase duplicaram para os 722,6 milhões.

A TAP explica que o processo dos novos acordos de empresa (AE)  “foi crucial para restabelecer as bases de uma operação fluida e eficiente. Uma vez que a aprovação dos novos AE aconteceu no quarto trimestre, com exceção do AE dos pilotos já em vigor desde o terceiro trimestre, a TAP registou os custos associados a 2023 no trimestre em questão bem como a reposição dos cortes sobre as remunerações”. Assim, registou no último trimestre do ano custos extraordinários de 54,4 milhões devido a “custos com efeitos retroativos (até pelo menos ao início do terceiro trimestre) que são referentes a outros trimestres (21,5 milhões), e pela reposição dos cortes de remuneração igualmente referentes a outros trimestres (3,7 milhões)”. Assim, no quarto trimestre apenas os custos com pessoal atingiram 190,8 milhões, mais 55,9% que no período homólogo anterior. Nesse quarto trimestre, a TAP teve prejuízos de 26,2 milhões.

O EBITDA (resultados antes de impostos, juros, amortizações e depreciações) recorrente (sem efeitos extraordinários) foi de 871,6 milhões, apurando uma margem EBITDA de 21%. O resultado operacional recorrente (EBIT) foi de 385,8 milhões, com uma margem de 9%. “Estes resultados sublinham o nosso compromisso de proporcionar valor duradouro aos nossos stakeholders, mantendo uma abordagem equilibrada no desempenho financeiro”, diz a companhia liderada por Luís Rodrigues em comunicado.

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A TAP tinha disponíveis, no balanço, no final do ano 789,4 milhões de euros em caixa e equivalentes, menos 126,7 milhões do que em 2022. A 4 de janeiro de 2024, o Estado meteu a segunda tranche do aumento de capital acordado de 343 milhões, esperando que a última tranche de igual valor entre no final deste ano. A dívida financeira líquida ficou nos 651,1 milhões, menos 7,3%. E os passivos de locação sem opção de compra foram reduzidos em 11,6% para 1.801,1 milhões.

Para 2024, a TAP compromete-se a “continuar a executar a estratégia para transformar a TAP numa companhia aérea
sustentavelmente lucrativa, melhorando continuamente as nossas operações, investindo nos nossos trabalhadores e
clientes, fortalecendo o foco nos nossos mercados-chave e na estratégia para os mesmos, capitalizando os nossos bons
resultados financeiros, gerindo as pressões sobre os custos, e melhorando a geração de fluxos de caixa e continuar a
trajetória de desalavancagem”.